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Ele
Ele, um homem normal, vivia como se estivesse em um mundo perfeito. Tinha a vida perfeita, acordava cedo e partia para sua labuta diária sem reclamar, um provedor, ciente de suas responsabilidades. Não deixava nada faltar em casa e até fazia algumas extravagâncias de vez em quando.
Nesta época, Ele era casado com Ilusão. Uma esposa perfeita que o fazia sentir-se nas nuvens, o agradava, mimava e não reclamava nunca. Tinham poucos amigos, já que, segundo Ele, Inveja, parente próxima de Ilusão, envenenava todos contra o casal, pois não entendia como podiam ser tão felizes.
Do casamento com Ilusão nasceu Sonho. Era lindo, imaculado, tão frágil e, ao mesmo tempo, com tanta energia. Sonho logo se tornou o centro das atenções na casa, não havia um que chegasse naquele lar e não ficasse embasbacado com Sonho, o mais puro significado de perfeição.
Com o passar do tempo, Sonho crescia, alimentado por Ilusão, que só dava do bom e do melhor para aquele rebento tão desejado. Ele morria de orgulho de seu primogênito e não poupava adjetivos quando falava de Sonho para seus poucos amigos. Certa vez chegou até a trocar porradas com um colega de trabalho porque o rapaz disse que Sonho tinha cara de joelho.
A coisa começou a degringolar quando Ele começou a ficar obcecado demais por Sonho e esqueceu-se de Ilusão, que mesmo com o brilho ofuscado pelo tempo ainda tinha seus desejos e queria atenção. Mesmo assim, Ilusão, como ser perfeito, pouco reclamava e até compreendia Ele com seu demasiado egocentrismo paternal. Entre rancores sufocados, lamentações engolidas e prazeres suprimidos, a relação se arrastou por mais alguns anos, até que, numa manhã abafada de abril, Ele acordou e Ilusão tinha ido embora.
Foi difícil pra Ele entender o que tinha acontecido, como pudera ter perdido algo tão perfeito? Como pode ser tão cego? Por quê? Por que não percebeu que havia algo errado? Enquanto se fazia essas perguntas, Ele se deu conta que tinha esquecido Sonho sozinho no quarto. Foi correndo e abriu a porta, assustado. Sonho estava lá tranquilo, protegido por seu manto branco. Ele pegou o Sonho nos braços e o levou para fora. Já estava na hora de Sonho conhecer o mundo.
Dias depois, Ele foi ficando preocupado com Sonho, o garoto não se desenvolvia como nos bons tempos de Ilusão. Então Ele achou que era hora de achar outra para substituir Ilusão. Mas como, se não conseguia esquecê-la, se a separação ainda doía?
Mas por Sonho tudo valia a pena, foi atrás de outra companheira, procurou com afinco, mudou hábitos e manias para ficar mais atraente, até malhar malhou. Mas nada, ninguém parecia se interessar por Ele, que foi ficando preocupado, até que desistiu de encontrar alguém e decidiu cuidar sozinho de Sonho.
Tempos difíceis chegaram e Ele enfrentava, sozinho, uma das fases mais conturbadas de sua vida. Fazia de tudo para que Sonho não percebesse o que acontecia, mas era quase impossível. Um belo dia, Sonho descobriu tudo, ficou muito mal e foi parar no hospital. Como ainda era frágil aquele garoto.
Foi nessa época que Ele conheceu Realidade. Forte, decidida, verdadeira. Realidade não aliviava não, falava tudo na cara mesmo, sem pestanejar. Ele ficava meio assustado, mas como estava carente, numa merda de dar gosto, resolveu encarar o desafio de viver com Realidade, afinal, ela lhe dava casa, comida e roupa lavada.
O temperamento forte de Realidade era um problema sério para Ele e para o Sonho, que depois melhorou e voltou para casa, mas ainda inspirava cuidados, pois estava fraco, continuava frágil. Nem por isso Realidade tratava o Sonho de uma maneira mais afável. Era sempre com palavras duras e amargas, de como a vida poderia ser cruel. Ele não gostava muito desse comportamento e sempre dava um jeito de levar Sonho para um lugar mais tranquilo, onde pudessem conversar e relaxar um pouco.
Um comportamento que há tempos atrás tinha sido o motivo de uma separação estava prestes a por novamente outra relação em xeque. Realidade reclamava muito da obsessão dEle por Sonho, de como isso era uma estupidez. Ela bradava pra quem quisesse ouvir que Ele era um fracassado porque não fazia outra coisa a não ser mimar o Sonho, que de tão frágil se tornou um estorvo, não servia de nada, não era capaz nem de se alimentar sozinho, precisava que Ele o alimentasse.
As coisas continuavam tensas, Ele estava preocupado. Como a Realidade era tão ruim para eles? Como ele não percebera antes a roubada em que estava entrando? A cada pergunta que se fazia, Ele se lembrava de como eram bons os tempos com a Ilusão. Por algumas horas, ficou deitado em sua cama, recordando os tempos felizes, onde a felicidade era plena, era possível respirar. Quando os dias eram realmente azuis e ensolarados, não cinzas e abafados. Lembrou-se do tempo em que ainda tinha entusiasmo, que rotina era viver algo novo e que novidade era ficar parado.
Quando acordou, Ele se levantou, foi até a porta e contemplou o sol durante algum tempo, enquanto ensaiava tomar alguma atitude pra tentar mudar aquela situação. Tomou uns goles de coragem e entrou decidido, sabia que não havia mais nada a fazer senão aquilo. Sabia que era extremo, mas se não fizesse aquilo, como continuaria?
Sem pensar muito, correu para o quarto, pegou seu tão amado Sonho e saiu correndo porta afora. Correu o mais rápido que pode. Exausto, apoiou-se em um poste para tomar ar. Ao se recompor, viu de longe um ônibus apontando no horizonte, respirou fundo, olhou para Sonho e, com a voz embargada, disse que não tinha escolha, que tentou o quanto pode, mas agora não restavam mais esperanças de reverter aquela situação, a vida lhe jogou um manto negro, e ao se juntar à Realidade viu que não tinha como escapar daquilo, não tinha como voltar atrás. Que por mais doloroso que poderia ser, Ele poderia aguentar, mas não queria que o Sonho sofresse mais naquela situação.
Entre lágrimas, olhou pela última vez e, ao ouvir o ronco do motor, lançou seu sonho contra a máquina voraz, que estraçalhou em poucos segundos o que Ele cuidara com tanto zelo e carinho durante anos.
@calixtobn, você é um puto de verdade.
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E o espetáculo do puto @Pira_Ja continua aqui no Cabaré.
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Aqui no Cabaré tudo vira zona. E dessa vez quem dá o show é o Sr. Miyagi, sábio mestre das artes marciais. Convenhamos, o japa é um puto de primeira.
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Essa é pra você, que já passou poucas e boas na frente do computador tentando trabalhar com o CorelDraw. Certamente, tira essa história de letra. Mais uma putaria do cafetão @brenoart. Seu puto!
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Pra continuar a série da hashtag #sebebernaotentefalar, o Coletivo Cabaré adverte para tomar cuidado com o que falar, principalmente se você for fã de música sertaneja e se acha “o cara”. Na hora do show, muita coisa errada pode acontecer. Essa foi uma putaria do cafetão @marcosgarbin. Seu puto!
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Quarta-feira com cara de Sexta. Hoje é dia de putaria. E aqui, o show foi feito pra você se excitar. Sem falar que até o Dimitri entrou na dança! #virouzona
